Home Mapa do Site Contato
Cedipi
Atendimento
de segunda à sexta-feira
das 8h às 18h
sábado das 8h às 15h30
busca:
Home / :: Destaques CEDIPI / CASOS DE MENINGITE AUMENT...
:: Destaques CEDIPI
Casos de meningite aumentam no país; saiba o que fazer para prevenir esse tipo de patologia

A proliferação de casos de meningite no Brasil tem preocupado tanto autoridades da saúde quanto a população, principalmente neste período em que aumenta o número de pessoas viajando pelo país e para o exterior. O recente surto da doença na Bahia acendeu um sinal de alerta em quem está com viagem marcada para cidades do Estado.

Levantamento realizado pela Sesab – Secretaria de Estado da Saúde da Bahia – mostra que até a primeira quinzena de dezembro havia 2.218 notificações da doença em 43 municípios baianos. A capital – Salvador – concentra a maioria dos casos: 1.445. O número de mortes também é alto no Estado: são 138 óbitos decorrentes de diversos tipos da doença. Ainda segundo os dados epidemiológicos divulgados pela Sesab, a meningite meningocócica – caso mais grave da doença – é responsável por 178 notificações e 48 óbitos este ano. Em 2008, foram 137 casos e 26 mortes. Esta é a região mais atingida do país.

Outro Estado brasileiro igualmente afetado pela enfermidade é o de Minas Gerais. De acordo com boletim da SESMG – secretaria de Saúde mineira –, divulgado no final de dezembro, 984 pessoas contraíram os diversos tipos da doença, entre janeiro e novembro de 2009. Há letalidade provocada pela moléstia durante o mesmo período foi de 14,7%, ou seja, 145 óbitos entre todas as etiologias. A doença meningocócica representou 24,6% (35 mortes), as pneumocócicas 29,3% e as virais 3%.

O Centro de Informação de Saúde para Viajantes (Cives) estima a ocorrência de pelo menos 500 mil casos de doença por ano no mundo todo, com cerca de 50 mil óbitos. É uma doença de evolução rápida e com alta taxa de letalidade, variando de 7 até 70%. Mesmo em países com assistência médica adequada, a meningococcemia pode ser fatal em até 40% dos casos.

“A doença meningocócica pode ocorrer em pessoas de qualquer faixa etária, porém é mais comum em crianças até cinco anos e mais rara em idosos. Sua incidência é maior em países em desenvolvimento, especialmente em áreas com grandes aglomerados populacionais”, afirma o infectologista da CEDIPI Francisco Bonasser Filho, que também integra o corpo clínico do Instituto de Infectologia do Hospital Emílio Ribas.

Segundo o médico, o histórico de infecção recente pelo vírus influenza e o tabagismo aumentam a chance de infecção meningocócica. “No Brasil, a doença é endêmica com casos esporádicos durante todo o ano, principalmente no inverno, com surtos e epidemias ocasionais”, diz ele.

Trata-se de uma patologia que compromete as membranas do cérebro e da medula espinhal, causada por uma série de agentes. Entre eles, fungos, protozoários, vírus e bactérias (veja descrição no quadro abaixo). “Existem 13 subgrupos identificados de N. meningitidis, porém os que mais frequentemente causam a doença são os subtipos A, B, C, Y e o W135”, descreve Bonasser.

Ele lembra que nos últimos 20 anos foram notificados no Brasil cerca de 80 mil casos, a maioria causada pelo sorogrupo B. O tipo C aparece como o segundo mais frequente, tendo sido responsável por alguns surtos, inclusive motivando a vacinação em massa de crianças e adultos, como ocorreu em 1975. “Em razão disso, passados mais de dez anos, com o aumento da população susceptível, que são as pessoas nunca vacinadas e aquelas que perderam a imunidade conferida pela vacina, o sorogrupo C volta a ser uma preocupação particularmente nos grandes aglomerados urbanos”, explica o infectologista, ao ressaltar que os tipos A e C têm maior taxa de ataque, podendo chegar até 500 casos em cada 100 mil habitantes. 

Agentes causadores da Meningite
Agentes Tipo
Fungos Cryptococos
Blastomicose
Protozoários Toxoplasma gondii
amebas
Vírus enterovírus
poliovírus
arbovírus
echovírus
coxsackie
herpes simples
vírus do sarampo
vírus da caxumba
varicela zoster
Helmintos cisticercose
taenia
Bactérias Neisséria meningitidis
Streptococcus pneumoniae
Mycobacterium tuberculosis
Haemophilus influenzae
Eschericia coli
Salmonela SP
Klebsiella SP
Staphylococcus aureus
Leptospira SP

Sintomas e diagnóstico

A meningite tem início súbito, caracterizada por febre, dor de cabeça intensa, náuseas, vômito, acompanhada, em alguns casos, por manifestações cutâneas como manchas avermelhadas na pele (petéquias) e sinais de irritação meníngea. Rigidez na nuca, convulsões, paralisias, tremores e transtornos pupilares são alguns sinais desse tipo de infecção que, dependendo do grau de comprometimento encefálico, também podem ocorrer no paciente, explica Bonasser.

Ele ressalta ainda que o líquido cefalo-raquidiano (LCR), também conhecido como líquor, é o principal material utilizado para detectar a doença. Exames de sangue e esfregaço de pele – leve camada da pele que é colocada sobre uma lâmina de vidro para ser examinada através de microscópio – complementam o diagnóstico. “O risco de doença meningocócica é mais significativo apenas para pessoas que tiverem contato muito próximo com alguém infectado (portador assintomático ou doente)”, ressalta o especialista ao lembrar que a prevenção imediata da ocorrência de novos casos é feita mediante o tratamento profilático com antibióticos (quimioprofilaxia) de todas as pessoas que tiverem contato com o indivíduo doente, visando à eliminação da bactéria na nasofaringe dos portadores.

Imunização

A forma mais eficaz de prevenção da meningite é a vacinação, que precisa ser realizada o mais rápido possível durante situações emergenciais. As vacinas mais frequentemente empregadas são a bivalente (combinação contra os sorogrupos A+C), a tetravalente (A+C+Y+W135) e, no caso de menores de dois anos, a monovalente A. Para o tipo B da doença, nenhuma vacina desenvolvida até o momento (inclusive a “cubana”) mostrou ser eficaz. “Mas recentemente foi desenvolvida uma vacina conjugada para meningite meningocócica C, com elevada eficácia, proteção prolongada – provavelmente para toda a vida – e boa resposta em menores de um ano”, ressalta Bonasser.

Segundo ele, “a maioria das vacinas disponíveis contra a doença meningocócica confere proteção por tempo limitado (cerca de três anos) e exclusivamente para os sorogrupos contidos na vacina, com reduzida eficácia em crianças abaixo dos dois anos de idade”.

Ele aconselha às pessoas que pretendem viajar para áreas com incidência de meningite que se vacinem pelo menos 10 dias antes da viagem. “Pessoas que nunca receberam imunização contra meningite precisam ser vacinadas. Aquelas que tomaram as vacinas combinadas A+C e B+C ou C não conjugada podem ser imunizadas novamente, uma vez que a imunidade destas vacinas não é duradoura”, aconselha o infectologista. 

Cuidados preventivos contra meningites e outras doenças
Boa nutrição.
Medidas de higiene (lavar frequentemente as mãos, usar lenços de papel ao espirrar ou tossir, não compartilhar copos, talheres e outros utensílios sem lavar antes, não dividir garrafas de água ou alimentos etc.).
Evitar beijar as mãos ou áreas próximas à boca de bebês e crianças.
Não “soprar”, tossir, falar ou espirrar sobre alimentos.
Evitar locais com aglomeração de pessoas.
Evitar contato com doentes sempre que possível.
Manter a casa, o ambiente de trabalho e os veículos de transporte coletivo sempre bem ventilados, e permitir a incidência direta de luz solar nos mesmos.
Lavar bem as mãos ao entrar ou sair de hospitais, ao chegar em casa, antes de se alimentar, após usar o banheiro etc.
Manutenção de uma boa saúde em geral (praticar atividade física, manter hábitos saudáveis de sono, evitar o tabagismo, o etilismo e as drogas).
Manter as vacinações de rotina para a idade sempre em dia.

 

< voltar
Alameda Joaquim Eugênio de Lima, 1338 - São Paulo/SP - Fone: (11) 3887-6111 - Fax: (11) 3887-7733
© 2007/2009 cedipi.com.br - Todos os direitos reservados
Powered by SmartSite