“Por volta dos dois anos praticamente todas as crianças já tiveram pelo menos uma infecção por rotavírus”, afirma Gabriel Oselka, médico pediatra da Cedipi e membro do Comitê de Imunizações do Ministério da Saúde. De acordo com a Secretária de Saúde de São Paulo, em todo o mundo as doenças diarreicas, causadas pelo vírus, são consideradas a segunda causa de morte em crianças menores de cinco anos. Dentre os cerca de 1,8 milhões de óbitos por ano, quase 600 mil são provocados pelo rotavírus. Por isso, desde 2006, a vacina contra a doença foi incluída do calendário básico do Sistema Único de Saúde (SUS). Comparando 2005 com 2007 houve uma diminuição em 94,7% no número de casos no Estado de São Paulo
As maiores taxas de incidência de rotavírus se concentram em países subdesenvolvidos em função da facilidade com que a moléstia pode se disseminar – via fecal-oral, ou seja, pela ingestão do agente ou por contato com objetos contaminados. “O rotavírus é uma infecção democrática, o que é muito diferente é a gravidade e as consequências da infecção quando existem bons cuidados e assistência médica”, comenta Oselka. Ainda de acordo com o especialista, a imunização é a única forma de prevenir a diarreia por rotavírus, e não por melhora das condições de higiene ou saneamento básico.
Bebês têm maior risco de se contaminarem, mas após os dois primeiros anos de vida a gravidade das infecções irá diminuir. Há diferentes tipos de rotavírus; três deles são mais comuns – A, B e C. Quando uma criança adoece pela primeira vez a tendência é que ela desenvolva uma proteção para o tipo de vírus que foi acometida, portanto, “se entrar em contato novamente com mesmo vírus muito provavelmente ela não irá se infectar”, afirma o médico da Cedipi. Em caso de contato com um tipo diferente do vírus a tendência é que a gravidade do quadro seja menor, e “a partir da terceira infecção, praticamente, nunca a doença é grave”, completa Oselka. Em adultos as complicações também diminuem após o primeiro contato com o agente causador.
Os principais sintomas da infecção por rotavírus são diarreia e vômito, quadro que geralmente leva a desidratação. Como o vírus não tem ação direta sobre outras doenças, se o paciente já estiver debilitado, o agravamento do quadro clínico ocorrerá somente pela diminuição da quantidade de água no organismo.
Imunização
No Brasil há duas vacinas disponíveis para proteção contra o rotavírus. A Rotarix, da GlaxoSmithKline, que pode ser obtida pelo SUS, e a Rotateq, da Merck & Co, aplicada em serviços privados. Confira no quadro abaixo as principais diferenças entre elas:
| Diferenças |
Vacinas contra rotavírus |
| Rotarix |
Rotateq |
| Tipos de rotavírus utilizados na produção |
Um |
Cinco |
| Proteção |
Para diferentes tipos de rotavírus |
Para diferentes tipos de rotavírus |
| Quantidade de doses |
Duas |
Três |
O membro do Comitê de Imunizações do Ministério da Saúde ressalta que não há comparação direta entre as duas vacinas que permita dizer se uma é superior a outra. “Mas considera-se pelos resultados, com a utilização das duas em locais diferentes, que ambas são excelentes, principalmente contra as formas graves da diarreia – que podem levar a internação e até a morte”.
As aplicações da Rotarix e da Rotateq ocorrem por via oral e podem ser feitas a partir de seis semanas de vida, porém a primeira dose deve ser aplicada no máximo até três meses e uma semana após o nascimento da criança. O intervalo recomendado entre uma dose e outra é de dois meses, e o mínimo, um.
Crianças que apresentam doenças geradas pela má formação e formas graves de imunodepressão devem evitar a vacina. Em relação aos efeitos adversos, o médico da Cepidi diz desconhecer algum caso e
afirma que as doses podem ser ministradas juntamente com outras imunizações.
De acordo com a Secretaria de Saúde de São Paulo, estudos recentes mostram que as vacinas conferem proteção contra as infecções graves, que requerem internação, em torno de 85% a 95%. No total das infecções por rotavírus essa taxa gira em torno de 72% a 74%.
O pediatra Oselka ainda evidência que crianças que se infectam e estão sendo amamentadas tendem a ter um quadro clínico mais leve. “O leite materno não evita, mas pode atenuar a gravidade da infecção”. |